Real Talk: Usar O Idioma De Sinais Fará De Você Uma Pessoa Melhor

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Por Isabel Sachs 

Recomenda-se por aí que você evite conhecer seus ídolos. Semana passada eu quebrei essa regra pela primeira vez, com a artista Christine Sun Kim. Vi seu trabalho pela primeira vez em 2015 e  achei genial: uma pessoa surda criando obras de arte sonoras. Depois, encontrei seu TED Talk  com quase dois milhões de visualizações, onde ela diz:

“Eu nasci surda, e me ensinaram a crer que som não fazia parte da minha vida. E acreditei que era verdade. Agora eu sei que não era o caso. Som era sim parte da minha vida, está no meus pensamentos todo dia. Sendo uma pessoa surda vivendo em um mundo de som, era como se eu vivesse em um país estrangeiro, cegamente seguindo suas regras, costumes, comportamentos e normas sem nunca questionar.”

Em 2016, ela criou uma performance para a Frieze em Londres (“nap disturbance”) destacando os pequenos ruídos que fazemos ao longo do dia que somente são perceptíveis em silêncio, muitas vezes quando tentamos dormir, como uma cadeira se arrastando, alguém andando na ponta dos pés. Os atores, aos poucos, aumentam a intensidade destes sons – em um nível ainda considerado como um som "educado"   - até tornarem=sem deselegantes.   

Encontrei a Christine em um evento aqui em Londres, dias antes de abrir sua nova comissão para o festival Art Night, onde ela colaborou com alunos da escola Frank Barnes para Crianças Surdas, transformando suas vozes em uma instalação. Parte disso resultou em uma trilha sonora desenvolvida para  ser sentida – com vibrações – dentro da loja-conceito COS na cidade. 

Filha de Coreanos, nascida na Califórnia, Kim já fez residências no Whitney Museum, colaborou com Florence and the Machine e Blood Orange e muito mais. Trabalha com ilustração, vídeo, performance e peculiarmente – sons. A partir de seu trabalho delicado, e por vezes hilário, como seus outdoors, fica a idéia de que os sons devem ser, de fato, para todos -mas ainda uma experiência distinta para cada um de nós.

Quando a conheci, armadas com gestos e um celular, tivemos uma conversa tão maravilhosa que parecia que eu era fluente em libras e ela em português. Já até baixei um aplicativo para aprender – você pode fazer o mesmo aqui e seguir o conselho dela, para se tornar uma pessoa melhor.

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Marcela Zanon