Conexão Itália- Senegal

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Por Isabel Sachs

Fiquei completamente hipnotizada com as fotografias de Maïmouna Guerresi, da série “Aisha in Wonderland”, parte da linda mostra de arte feminina “She Persists”, organizada em paralelo à Bienal de Veneza.  Suas imagens etéreas remetem a universo de sonho, em um espaço paralelo à realidade. Retratos místicos, como muitos definem seu trabalho. O que faz sentido, considerando a enorme transição que a própria fotógrafa fez em sua vida. 

Nascida na Itália como Patrizia, em uma tradicional família católica, casou-se com seu marido senegalense em 1991 e adotou um novo nome  (que significa "abençoada por Allah") ao seu converter ao sufismo.   O sufismo é uma das vertentes mais místicas do Islã, e nasceu como uma reação a vidas de excesso e corrupção, e também contra as guerras em nome de um islã político, focando na prática da virtude (ihsan). E muito dos símbolos Sufis permeiam seu trabalho.

"No curso de minha carreira artística, fiz muitos trabalhos que confrontaram diferentes temas, mas com um conceito em comum - que é a afirmação da espiritualidade feminina. Eu queria mostrar em meu trabalho a imagem da mulher muçulmana começando com a mulher africana  - com quem me identifico espiritualmente - como uma mulher forte e poderosa e não esta mulher submissa  que é representada na mídia ocidental.

Os véus e robes são sempre presentes, criando formas esculturais. O véu, comum às muçulmanas, também indica uma conexão com as "Madonnas" italianas.  Fala-se muito em globalização, mas poucos  incorporam isso tão efetivamente como Maïmouna - na vida e na arte. 

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Manuela Rahal