Eventos e o Lixo Gerado

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Por Luzinha Noleto

Provavelmente você nunca pensou sobre o volume de lixo gerado em evento que tenha ido. Alias o que é lixo? Do que estamos falando exatamente? 
Lixo é tudo aquilo que é descartado que não possui utilidade. Resíduo é o nome dado para o resto de algo que pode ser reciclado/reutilizável. Muito do que consideramos lixo é na verdade resíduo que não foi reaproveitado corretamente. 

Ao nosso redor há um aumento de consumidores que questionam a cadeia produtiva e o crescimento de canais/veículos que falam sobre moda, beleza e consumo consciente. Ainda vemos pouco disso sendo aplicado na área do Live MKT. Qual empresa está presente nesse diálogo tão importante?

A não ser que o cliente exija, quase ninguém faz. E tá aí uma coisa que me incomoda pra caramba na minha profissão. 

Passamos meses planejando e produzindo um evento de curta duração para que no momento em que a luz se apaga, tudo é jogado em caçambas e enviado para aterro da cidade. Fingir que nada aconteceu, bora pensar no próximo job. 

O processo criativo de cenografia é engessado. Há um abismo entre quem cria e quem produz. Raramente se prioriza o uso de materiais já disponíveis nos fornecedores em vez de criar algo do zero. Não se forma nem se capacita ninguém. 

Os fornecedores de cenografia até conseguem reaproveitar madeira e alguns móveis para outros projetos. É mais uma solução interna de rentabilidade do que sustentabilidade em si. Salvo esses itens tudo é descartado. 

Os poucos eventos que pensam nisso, fazem um acordo com organização de catadores que responsáveis pela separação e certificação do descarte correto e ficam com o valor do que é vendido. Maioria foca apenas na triagem do bar e o buraco é muito mais embaixo.  

Na Luzis proponho sempre um exercício quando entra o briefing de cenografia. Fazemos assim:
Precisamos disso?

Podemos ser bons com menos?
O cliente tem algo parecido que dê para reformar/arrumar?
Se tiver que fazer, dá para ser de uma outra maneira/estrutura e que possa ser reaproveitado em outro local/usado ao menos mais alguma vez?
O custo de logísitca e armazenamento vale a pena?
Se houver descarte, como poderá ser feito?
Há alguma coperativa, grupo, ong que gostaria de ter material assim?
Isso pode ser uma fonte de renda para grupos menos favorecidos? Como eles podem nos auxiliar nesse aprendizado?
Há algum fornecedor que trabalharia com esse descarte para construir novo produto?

O cliente se orgulharia de ter a informação sobre não ter feito esse lixo? 
Consigo agregar valor a história do evento sobre esse reaproveitamento de produto?

O caminho não é fácil, dá trabalho pra caramba e temos que parar a máquina para pensar. Esse formato é antigo e injusto em todos os processos.  

Já passou da hora de pararmos a máquina para pensarmos o motivo de tudo que produzimos e consumimos.  

Há um mercado de novas empresas e novas prestações de serviços possíveis a partir dessa mudança de processo já acontecendo. 

Um exemplo é a Parley.tv que tem feito ações super bacanas com marcas como Adidas e Corona usando o plástico que retira dos oceanos como matéria prima. 

Em 2019 decidi que esse é um dos temas a ser trabalhado e discutido em minha rede profissional. 

Precisamos estimular novos fornecedores e criação de empresas para fechar esse ciclo de uma forma mais correta. 

Estou lançando em breve a Mimo, o braço de brindes e objetos criados a partir de resíduos e feito designers da minha rede de fornecedores na Luzis. 

A primeira coleção da Mimo é com o Christian Sampaio da @Papelariainstagram estamos adaptando peças criadas pela marca com materiais cenográficos como lona impressa e forração de carpete e já prototipando projetos especiais para algumas marcas. 

E faço o convite a todx para no dia 22/3 as 17:00 na conferência anual do Woman Music Event irei participar do painel "Sustentabilidade vende ingresso?– Quando o legado musical de uma festa ou festival combina com baixo impacto para o meio ambiente, todo mundo ganha."

Vamos lá trocar ideia.  

Precisamos criar uma rede de pessoas que estão dispostas a mudar a forma como consumimos e descartamos. Falar do assunto para que mais marcas vejam a importância de mudar o status quo em pró de um bem e um legado maior estejam conosco nessa.  

Luzinha Noleto

Especialista em experiência de marcas e proprietária da Luzis, escritório de eventos com foco no impacto positivo. 

Email: contato@luz.is