A Copa do Mundo Feminina É Fundamental Para A Quebra Do Pilar De Gênero  

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Por Isabella Garcia

A Copa do Mundo de Futebol Feminino está chegando e pela primeira vez na história a imprensa e os patrocinadores estão dando notoriedade a essas mulheres..

O Brasil é mundialmente conhecido como o país do futebol. Essa denominação é interessante, porém excludente. Ela se refere apenas aos homens. A essa altura do século precisamos revisar essa narrativa e incluir o gênero feminino.

Mulheres sempre praticaram futebol, mas foram silenciadas durante uma vida inteira. Lá atrás, em 1941, Getúlio Vargas e o estado brasileiro proibiram o futebol feminino, alegando que a modalidade era incompatível a morfologia.

Na verdade, eles temiam que isso possibilitasse a emancipação feminina, que é um belo xeque-mate no patriarcado que considera a mulher como o sexo frágil, que nasceu apenas para engravidar.

A proibição perpetuou por muitos anos e em 1979 o Conselho Natural de Desporto (CND), responsável pelo decreto, disse que o futebol feminino não estava proibido. Mas ao mesmo tempo não estava liberado.

Historicamente vemos porque o futebol feminino não é bem visto. As mulheres que praticam sempre carregam o título de “Maria macho”. As que torcem são tidas com as torcedoras da moda, só torcem porque o time está ganhando. Existe ainda a ideia da “Maria chuteira”, que é designado às que se relacionam com jogadores de futebol. Quando mulheres estão presentes no trio de arbitragem, recebem uma cobrança excessiva e se erram as pessoas colocam a culpa no gênero. E a posição de juiz da partida é sempre designada aos homens, pois é o cargo mais alta dentro da arbitragem.

Existe a falsa ideia de que a mulher possui performance futebolista inferior aos homens. Dizem ainda que o único grande nome do esporte revelado pelo Brasil é a Marta. O problema não está atrelado a falta de habilidade e sim a falta de estímulo, causado pelo preconceito. Antes mesmo de dar os primeiros passos, meninos são estimulados a desenvolver coordenação motora com os pés. Enquanto uma garota só vai ter contato com o esporte pela primeira vez mais ou menos aos dez anos. Desde pequeno os garotos já jogam bola e desenvolvem as malícias do jogo. Isso explica essa falsa ideia.

A Nike possui um histórico de apoiar as minorias no esporte. Foi assim lá atrás com Michael Jordan e Spike Lee, depois com Serena Willians, Colin Kaepernick  e agora com a Copa do Mundo de Futebol Feminino. O slogan por ela escolhido é: “Não mude os seus sonhos. Mude o mundo”. Esses dizeres se conectam muito com as dificuldades do futebol feminino. O que está em questão não é o esporte e sim uma questão de gênero. A ideia da supremacia masculina e a colocação da mulher como submissa.

A marca se preocupou em desenvolver um material de performance que realmente contempla o corpo feminino. Além disso, criou campanhas publicitárias representativas e inspiradoras.




Manuela Rahal