Esses Corpos Não Podem Mais Ser Invisíveis

Por Marcela Zanon

Quantas vezes você já se perguntou se frequenta lugares com acessibilidade?

Quantas vezes você esteve atento durante trajetos pelas calçadas e identificou rampas em boas condições em faixas de pedestres, sinais sonoros em faróis, calçadas planas e transportes com acessibilidade?

Eu me incluo no grupo dos desatentos, mas a invisibilidade desses corpos se encerrou na semana passada.

Marcamos um café com Michele Simões, cadeirante há 13 anos após sofrer um acidente de carro. Naqueles 60 minutos de conversa me senti acordando de uma anestesia social. Em tempos onde inclusão é um tema urgente e necessário, me vi desinformada sobre uma realidade tão próxima, mas que de alguma forma vive atrás de uma cortina, denominada deficiência.

Sete anos após o acidente, Michele optou por fazer um intercâmbio sozinha em uma cidade com acessibilidade. Foi a partir dessa experiência que ela começou a encontrar seu caminho através da comunicação e da moda para ressaltar que todos os corpos são reais.

O projeto Meu Corpo É Real nasceu para dar voz ativa aos consumidores através de ações utilizando a moda como tema principal. O fio condutor é ressaltar que o diferente não é negativo e nem menos importante. Em torno de 24% da população brasileira apresenta alguma forma de deficiência e mesmo assim são ignorados nos espaços e pelo mercado.

Portanto, devemos sim fazer o exercício diário para entender o quanto esses consumidores merecem ter acesso a opções.

Abram as cortinas. Somos todos humanos.

Marcela Zanon