Crônicas de Pedro - III

Por Pedro Marques

Você lembra de quando dirigiu de São Paulo até o Rio para vê-la por apenas dez minutos. Não foram dez, foi uma noite inteira, mas você gosta de contar que foram dez minutos.

Lembra-se das músicas que cantaram no carro. Do posto de gasolina que pararam para comprar cigarro. De quando esticou a mão e em câmera lenta foram entrelaçando os dedos. Até que ela trouxe o corpo inteiro ao seu lado e deitou a cabeça no seu ombro.

Lembra-se de quantos fios brancos tirou da cabeça dela. Vaidosa. Foram quinze. Em mil setecentos e cinquenta e dois dias – 3 séries de 4 temporadas completas (e duas pela metade) – foram quinze fios brancos retirados.

Lembra-se da viagem de carro pela Europa. Começava a chover. Ela já queria acionar o limpador de pára-brisas na primeira gota iminente. Você gosta de ver o vidro encharcar. Divergência perfeita para uma discussão banal – sorrisos mútuos – ambos percebem que aquele era um detalhe ínfimo perto de toda a vida que estava por vir. Entrelaçam as mãos sobre o câmbio.

Cada um faz promessas vitalícias dentro da cabeça. Seguem viagem.

Faz duzentos e dois dias daquele primeiro drink no @Buraco. So it goes.

Acessa o facebook dela. Não vê nada além da linha que diz: está num relacionamento sério.

O resto está bloqueado. Ela sempre disse que ex bom é ex morto.


Manuela Rahalcrônicas, Pedro Marques