Sobre MECA e Brumadinho

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Por Vinicius Longato

As 7am o Uber que me conduz pela Marginal Pinheiros em São Paulo flui sentido à CGH, onde embarco para BH. O motorista fala sobre pagode e contrariado atende minha solicitação para ouvirmos as noticias da 90.9: 

“Vale anuncia risco de rompimento na barragem de Gongo Soco, em Barão do Cocais” é a primeira frase que ouvimos.

São 4 meses desde o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, e finalmente estou indo para Brumadinho, onde acontece o MECA.

Antes de curtir o festival quero ouvir sobre como está a vida da população, quais os impactos do MECA antes, durante  e depois. É um ano muito peculiar para a região extremamente impactada pelo ocorrido. A Vale no seu manejo irresponsável, matou pessoas, contaminou o solo, a água, os animais e ainda quis chamar de “acidente”.

Conversando com Bruno Leite, motorista profissional natural de Brumadinho ouvi que: " A vale deu o golpe, e a imprensa terminou de enterrar “, referindo - se à extinção do turismo com as noticias de que a cidade de Brumadinho estaria submersa em lama. ”Uma região foi atingida - especificamente 3% -, mas a cidade e muita coisa no entorno, não foi.  

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O primeiro movimento desde 25 de janeiro é este final de semana do MECA, e eu espero que vocês ajudem a contar para o mundo que seguimos com atrações naturais incríveis, além de INHOTIM, e que “o turismo é a potência desta região para escaparmos da mineração”, de acordo com moradores. 

"Eles não se importam com as pessoas”, disse Gabriel, engenheiro civil nascido em Brumadinho, e continuou “estão dando esse salário para calar (a Vale paga um salário mínimo mensal para os atingidos), e sem instrução, a população esta largando seus empregos originais, muitos gastando com drogas e álcool, pois estão completamente desestabilizados". 

Regina Rocha de Oliveira, ceramista, complementou: "dessa forma as pessoas têm a falsa impressão de que a Vale é imprescindível para a região, o que vão fazer quando acabar essa 'mesada'? Temos que olhar para frente depois do luto, é muito triste essa manipulação da miséria, politica tão típica brasileira."

A otimização dos lucros nas corporações estica na tensão delicada aos cuidados com o meio ambiente. A gestão negligente deixa rastros sociais e dejetos residuais, no extremo do absurdo, a perda direta de vidas.

O nome dessa tensão é sustentabilidade. Atribuída desde “papo de alternativos” à corporações, que tentam “passar um pano”. Hoje  é obrigatório para uma espécie que pretende continuar se reproduzindo e consumindo, mas já não conta mais com 3,8 bilhões de anos em acúmulo de capital natural. 

Não é estética e nem moralidade, é o interesse mais básico para prosperidade. 

O investimento numa economia voltada ao turismo em substituição gradativa à mineração, começando por um instituto de educação do tema, faria da população de Brumadinho melhor preparada e alavancaria o potencial da região, que teria a chance de um  futuro mais sustentável.

Pense em todos os desafios que você pode listar, já existe solução para cada um deles. Como tantas utopias, o Meca também tem seu desafio, crescer sem perder o conceito na sua relação de turismo com Brumadinho. 

No mundo inteiro existem, em pequena escala, soluções para grandes problemas.  O maior desafio para o homem e seus 9bi de representantes é como sair do micro e atingir o macro, a massa, e o mainstream, sem perder os conceitos que tornam as soluções possíveis.

Hoje, quarta feira dia 22, o talude do Gongo Soco não é o único que segue ameaçador, mas a Vale segue lucrando, e Barão do Cocais alertada, diferente de Brumadinho.

Torcemos para que seja diferente e apoiamos para que o luto se transforme em força, sempre. 

Manuela Rahal