Exposição “Acordo”, de Mano Penalva

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Por Marina Nacamuli 

Acordo vem do verbo “acordar”, vem do acorde de música, e também do acordo que se faz entre ambulantes, referente a negociação. O trabalho de Mano Penalva vai acontecendo enquanto ele caminha pelas ruas, e esses acordos começam a acontecer. Seu trabalho, como ele diz, é sobre as coisas do mundo, que de alguma forma refletem as realidades sócio-econômicas de um povo. 

Penalva vem da Bahia, e desde menino frequentava feiras, tendas de ambulantes e mercados públicos, se questionando a origem das formas e gestos desse comércio informal e popular. O espaço público, ao contrário do privado (shoppings, mercados, etc), por não ter nada “proibido” ou ilegal, estão sempre vivos. Ele possui cheiros, cores, barulhos, calor, tendo o poder de unir as pessoas. 

Em sua exposição, Penalva reutiliza materiais acordados com os ambulantes e os ressignifica. Os acordos demoraram em torno de quatro meses para serem finalizados. Alguns materiais dessa exposição foram cintos, imãs, sabão e pedras, panos, sacolas, e outros objetos ordinários. Entre os trabalhos, um dos que mais me impressionou foi o “Melzinho”, onde 12 garrafas de mel, um tom acima do outro, foram colocadas na diagonal de um espelho formando um triângulo. Ele também produziu uma música em conjunto com o cantor Paulo Neto falando sobre labuta, e um vídeo em parceria com a artista Fernanda Pavão e Moisés Patrício. 
A exposição continua na Central Galeria até dia 27.07.2019

Marcela Zanon