Bebês editados: cool or not cool?

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Por Manuela Rahal

Aquele dia que morava lá no futuro chegou: nasceram os primeiros bebês geneticamente editados do mundo - garotas gêmeas cujo DNA foi alterado com uma nova e poderosa ferramenta capaz de reescrever o modelo da vida.

Ou seja, um médico chinês virou o que? Deux.

He Jiankui, de Shenzhen, disse que alterou embriões para sete casais durante tratamentos de fertilidade, com uma gravidez resultante até agora. Ele disse que seu objetivo não é curar ou prevenir uma doença hereditária, mas tentar dar uma característica que poucas pessoas têm naturalmente - uma capacidade de resistir a uma possível infecção futura pelo HIV, o vírus da Aids.

"Sinto uma forte responsabilidade de não apenas fazer uma primeira, mas também torná-la um exemplo", disse ele. "A sociedade decidirá o que fazer a seguir" em termos de permitir ou proibir essa ciência, disse o médico à CNN.

Na minha humilde opinião: se o ser humano fosse majoritariamente bom e esse tipo de tecnologia fosse usado exclusivamente para prevenir doenças, isso definitivamente seria um passo enorme para a humanidade. No entanto, não consigo deixar de pensar em crianças "melhoradas", mais bonitas e mais inteligentes, pelo privilégio de nascerem em berços cujos pais podem pagar por essa edição. Em tempos onde discutimos a falta de oportunidade para muitos jovens, imagina o quão pior não pode ficar.

Vamos acompanhar e ver como se desenrola a parte ética da história. Daí sim poderemos dizer se cool or not cool.

Manuela Rahal