Brilho Eterno de Uma Mente Hackeada

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Na última semana, a revista Wired promoveu mais uma edição do seu formato Conference, em São Paulo, no Hotel Maksoud. Na pauta, alguns assuntos já bem estressados, como Mindfulness e Feng Shui, uma vez que o tema macro era Saúde e Bem Estar.

No meio dessa programação, que durou um dia inteiro, uma palestra me chamou atenção: a da Dra. Julia Shaw, uma jovem canadense, da University College London (UCL), reconhecida mundialmente pelo seu trabalho com memória e psicologia criminal.

A partir de memórias, que ela classifica como multissensoriais – que são capazes de transportar as pessoas com lembranças de cheiro, música ou até traumas vividos -, Julia Shaw estuda o impacto da manipulação de informações no cérebro humano.

Segundo ela, a memória é uma das networks mais complexas do nosso corpo, já que temos mais neurônios do que existem estrelas na Via Láctea, e muitas pessoas acabam acreditando que estavam em uma situação sem nunca terem chegado perto dela. “Por conta da repetição de uma história, acabamos acreditando que experienciamos aquele momento, o que não configura uma mentira, mas a sensação de pertencimento é o que o cérebro processa”.

Em um dos seus estudos, ela convidou alguns jovens para um papo sobre memória em seu laboratório e conseguiu “implantar” histórias não verdadeiras, fazendo com que os participantes acreditassem que aquilo tinha de fato acontecido, pois ela usa símbolos ou pequenos fragmentos de informação da vida pessoal de cada um. Como funciona? Ela conta uma história para a pessoa, usando palavras-chave, como o nome do melhor amigo e a cidade onde nasceu e o resto das informações são criadas. Neste estudo, nenhum dos jovens tinha ficha criminal, mas 80% deles acabaram admitindo já ter cometido um pequeno delito sem isso nunca ter acontecido.

O memory hacking, ou memória hackeada, pode ser usado para o lado bom e também para ruim, como técnicas usadas por governos opressores que, com práticas de tortura, conseguem convencer um suspeito de que ele cometeu tal crime.

Para o lado bom, já podemos ver processos que funcionam quase que como um detox, para aqueles que estão sofrendo por um amor não correspondido, como no brilhante filme de Spike Jonze, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Já é possível usar métodos de psicologia para esquecer um amor, não é garantido que vai funcionar, mas vale dizer que já existe um caminho para transformar a tão aclamada ficção em realidade.

Em Novembro deste ano, teremos mais uma edição do Festival Wired, no Rio de Janeiro, ainda com temas a definir. E a 3MW estará lá, mais uma vez, para essa cobertura. Recomendo que não deixem de acompanhar nosso conteúdo por aqui 😉