The Breaking Point

RTR3OUNE.jpg

Por Manuela Rahal

Eu era uma jovem jornalista, mas me lembro bem quando Al Gore, ex-vice-presidente da América, lançou o polêmico e preciso filme “Uma Verdade Incoveniente". O ano era 2006 e as críticas foram ferrenhas e vieram por todos os lados, poucos foram os que apoiaram a corajosa postura que Al Gore teve ao lançar essa mensagem para o mundo. Afinal, como a própria América, uma das nações que mais explora, detona, poluí e colabora diretamente para as mudanças climáticas poderia aceitar que essa bola estava quicando.

De lá para cá, tantas conferências, tantos estudos, tanto debate e…nada. Quase nada mudou. Os civis começaram um processo de conscientização, mas se formos colocar na balança atitudes versus contenção de danos, sabemos que estamos muito longe de salvar nossa única casa.

Mas enfim, isso todos nós sabemos. O que ainda não mudou é tratar o assunto como um problema futuro, sendo que ele ronda nosso presente diariamente. Reciclar lixo, proibir de canudos de plástico, desenvolver a iluminação solar, investir em energias sustentáveis, andar de bicicleta e uber. Tudo isso, ou melhor, nada disso nos ajudará quando a mãe natureza se rebelar de fato.

Tsunami? Erupção de vulcões? Temperaturas extremas? Asteróides? Também podem acontecer, mas temos aqui um perigo real e bem previsível.

Thwaites Glacier, aka a maior geleira do mundo, localizada na Antártica, mais precisamente do tamanho do Estado da Flórida, está prestes a QUEBRAR. O que isso significa? Apenas que teremos que nos despedir de Boston, Miami, Shangai, Lagos, Mumbai e Jakarta, entre muitas outras cidades costeiras, por exemplo.

locator-map_0.png


De acordo com matéria da Wired (capa, inclusive, para entenderem o quão urgente é), o cientista indiano Sridhar Anandakrishnan, que já esteve mais de 20 vezes pela região, afirmou que “Se a misteriosa geleira Thwaites 'go bad’, isso pode mudar todo o curso da nossa civilização".

Anandakrishnan realizou diversos testes, na geleira de cerca de 1.2km de extensão, criando falsos abalos sísmicos em zonas estratégicas, para tentar entender possíveis impactos. A conclusão de anos de pesquisa não foi nada boa: “A Thwaites é muito mais do que uma geleira, é uma coisa assustadora. Sabemos que ela vai ceder, mas ainda não conseguimos precisar quando, pode ser hoje, amanhã ou no próximo ano". Ou seja, tudo depende de diversos fatores, especialmente do clima.

Sridhar Anandakrishnan

Sridhar Anandakrishnan

No infográfico abaixo, é possível entender o tamanho do problema: a geleira é sustentada por um solavanco no fundo do mar que, provavelmente, foi suficiente para aguentar o tranco das águas por milhões de anos.

IMG_5310.jpg

Segundo a equipe de cientistas, além dessa questão, é muito importante que autoridades de todos os setores entendam que o impacto disso pode ser o começo do fim e o grande desafio - que vai além dos canudinhos de metal - é: “O que faremos enquanto população mundial para salvar nossas cidades costeiras?".

Talvez seja a hora de entendermos que o futuro realmente não existe e, quem sabe, nos mobilizarmos de alguma forma para que reste uma pequena chance de futuro. Caso contrário, parem de ter filhos, parem de sonhar, nossa casa está prestes a inundar.

Manuela Rahal