Universal Basic Income e o "Mundo Pós Humano"

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Por Manuela Rahal

Novidade não é. Assistencialismo também não. Futuro? Não mais.

Afinal, o que é Universal Basic Income (UBI)? Uma ideologia, uma utopia futurística ou apenas um jeito de pensar no próximo ser humano e no próximo movimento com viés político e social. Basicamente, esse modelo prevê que todos os cidadãos de um país ou outra área geográfica devem receber uma determinada quantia de dinheiro, independentemente de sua renda, recursos ou status de emprego. O objetivo da UBI é prevenir ou reduzir a pobreza e aumentar a igualdade entre os cidadãos.

Very romantic, right?

Esse modelo já foi debatido em diversos países, contextos e situações, mas ainda não foi, de fato, colocado em prática. Aqui no Brasil, o ex-Senador Eduardo Suplicy propôs o chamado Renda Mínima há quase duas décadas e o tema já é discutido aqui desde os anos 1980. Na Itália, o partido Five Stars, que nasceu de um experimento com o objetivo de criar uma nova política, tem como um dos principais fundamentos o UBI. Muitos pensadores, inclusive os mais pragmáticos, defendem a tentativa de implementar o modelo, uma vez que tudo o que temos até hoje parece não funcionar mais.

Alguns milionários, já prevendo essa realidade próxima, estão se organizando para o mundo que chamam de "pós-humano", claro, pensando apenas neles. “Seguindo as dicas de Elon Musk colonizando Marte, Peter Thiel revertendo o processo de envelhecimento, ou Sam Altman e Ray Kurzweil inserindo suas mentes em supercomputadores, eles estavam se preparando para um futuro digital que tinha muito menos a ver com tornar o mundo um lugar melhor, do que com transcender inteiramente a condição humana e isolar-se do perigo hoje real das mudanças climáticas, aumento do nível do mar, migrações em massa, pandemias globais, pânico e esgotamento de recursos. Para eles, o futuro da tecnologia tem a ver com uma única coisa: escapar”.

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Mas, não estamos aqui para debater a questão sócio-econômica em si, e sim para mostrar o impacto disso quando mixamos essas propostas com Inteligência Artificial.

Say what?

Enquanto o capitalismo ainda reina e não existe um motivo que force o mundo a aceitar uma real distribuição de renda, tem bastante gente por aí questionando se o desenvolvimento da Inteligência Artificial não pode ser um caminho para fazer com que o UBI seja muito mais viável.

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Explico:

Considerando que, em um futuro próximo, muitos empregos serão ocupados por máquinas, grande parte da população acabaria ficando desempregada. Nesse cenário, todo o dinheiro que for "conquistado” ou "salvo” através do trabalho de robôs, poderá ser revertido à população de forma distribuída e sem a necessidade de impostos.

Você consegue imaginar um mundo onde as pessoas simplesmente não precisariam trabalhar, mas teriam garantida uma renda mínima, além do suporte em áreas como educação e saúde já previstos pelo governo?

Pensando de forma prática: nós, gerações que hoje habitam a Terra, não estamos preparados por um futuro sem ter o trabalho como fio condutor das nossas vidas, porém, novas turmas que vem por aí, já podem ir se acostumando com a ideia de criar novos propósitos para conduzir suas vidas.

E agora, chegamos ao ponto mais preocupante desse debate: seria o UBI baseado em Inteligência Artificial como força de trabalho o grande momento de libertação do homem ou um novo formato de escravidão?

Ainda não consegui concluir, mas indico a leitura desse artigo da Forbes. No mais, vamos acompanhar e, quem sabe, viver essa grande mudança estrutural que se aproxima.







Manuela Rahal