Uma "Droga Viva" Para Combater o Câncer

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Por Manuela Rahal

Assunto delicado, mas o intuito é trazer uma pontinha de esperança. Nenhuma doença é boa, mas se tem uma muito injusta é o câncer. Mas essa injustiça chega a outro nível quando acontece com uma criança.

A americana Emilly Whitehead tinha 5 anos quando foi diagnosticada, com um tipo de leucemia que tem grandes chances de cura com a quimioterapia. Mas, infelizmente, ela fazia parte do grupo de 15% das crianças que não se cura com esse tratamento, e ao completar seis anos, a doença já havia “escapado", de acordo com seus médicos.

Seus pais ficaram sabendo de uma pesquisa na Philadelphia e correram para lá. Pesquisadores estavam se oferecendo para reprogramar suas células imunes em um exército clone de assassinos em série que visam o câncer, ou seja, uma droga viva dentro do corpo.

O método CAR-T retira uma célula doente do corpo do paciente, manipula em laboratório e devolve para o corpo com a programação de criar o exército de combatentes. O CAR-T é freqüentemente chamado de “a droga mais complexa já criada”, mas não é realmente uma droga no sentido tradicional. Ao contrário de uma molécula inerte introduzida no corpo por algum efeito temporário, a CAR-T está viva. Se funcionasse como planejado, essa “droga viva” continuaria a viver na corrente sanguínea de Emily como uma superpotência que mata câncer, fornecendo-lhe uma espécie de imunidade contra sua doença.

No momento em que seus pais decidiram submetê-la a um experimento que nunca havia acontecido até as células CAR-T serem injetadas em Emily, mais de um ano se passou. O caso dela já era quase terminal e alguns outros cientistas acabaram se envolvendo na história.

Foram muitos testes, idas e vindas, aprovações e burocracias. De acordo com a mãe, a parte mais difícil foram as reações após o início do tratamento. Apesar de crianças terem um sistema imunológico mais forte do que de adultos, o corpo não está preparado para todos os efeitos colaterais.

Quando Emily completou 7 anos, ainda internada, a notícia tão esperada por aquela família, aquela liga médica - e quem sabe tantos pais mundo afora - chegou: ela estava viva e as melhoras eram quase visíveis.

Fato é que uma outra criança que foi tratada na mesma época acabou falecendo, portanto ainda existe uma caminhada para desenvolver melhor essa droga viva. Fato 2 é que as gigantes farmacêuticas estão lutando pela licença dessa droga e isso nunca é muito positivo.

Mas, nesse mundo completamente injusto, é um prazer ver uma criança curada, que hoje toca ukulele e treina corrida. Uma criança que pode ser criança novamente.

Fica aqui a torcida para que esses bravos pesquisadores não desistam.

Fonte: Wired

Manuela Rahal