Foresight Strategist: O Cientista Do Futuro

Por Isabella Garcia

Tratamos o futuro de forma bem mística. Somos treinados a olhar para ele de forma esotérica. Achamos que somente tarô e búzios poderão nos responder o que será do nosso amanhã. Tudo em busca de respostas e forças no transcendental. Isso nos equilibra e nos mantém firmes, vivões e vivendo.   

Mas, bruxixes à parte, existe uma forma científica de entender o futuro: a futurologia. 

É aquele ditado “nada é por acaso”. É exatamente nisso que a futurologia se pauta. Ela entende como os comportamentos do passado influenciam o nosso presente. Isso consegue dar margem para entender um possível futuro. De mística, a futurologia só tem o nome. Na real, ela é bem estratégica e planejadora. 

Para entender um pouco dessa ciência tão importante para a humanidade, batemos um papo com a nossa foresight strategist, Lydia Caldana

Aos dezessete anos, logo que se formou no ensino médio, foi morar na Itália, para concluir o processo de cidadania. A graduação por ela escolhida foi moda, mas cursou apenas um ano.  “Estava muito infeliz em fashion designer pois 50% do tempo costurava e os outros 50% desenhava. Queria escrever e pensar sobre outras indústrias”, comenta.

Essa insatisfação a fez encontrar um Bacharelado em Londres de Pesquisa de Comportamento e Previsão de Futuro. Uma graduação de três anos, bem prática, sem muita teoria ou dissertação. Ela se constituía na prática de metodologia de pesquisas qualitativas.  

Quando terminou a graduação, Lydia voltou para o Brasil, e trabalhou em uma empresa de pesquisa qualitativa. Depois de aproximadamente um ano entrou para a Box 1824, onde foi responsável por liderar e criar a parte de futuro dentro da empresa, fazendo gestões e treinamentos. Esse estudo vai desde de coisas que podem ser encontradas por computadores até entrevista ao vivo com especialistas. 

A questão de gênero está muito presente na sua prática, “Tudo que eu tenho trabalhado nos últimos anos acaba esbarrando em questões de gênero. Se eu vou falar do futuro da música, do trabalho ou da saúde, tenho que falar em gênero” afirma. Pensando nisso, ela foi buscar um certificado de um ano sobre gênero e sexualidade na The News Schol, uma universidade famosa por ser a primeira nos Estados Unidos a disponibilizar estudo de gênero  e mulher. “Consigo trazer esse conhecimento para o Brasil e ajudar a construir um futuro mais justo para as mulheres, entendendo todas as interseccionalidades” comenta sobre a escolha. 

Quando foi fazer a entrevista para ingressar no curso, sugeriram que ela fizesse um mestrado em estudo liberais. Deu certo! Ela tem se dedicado a isso desde agosto desse ano. 

A sua atuação profissional está pautada em três principais frentes de trabalho. A primeira diz respeito ao futuro e pesquisa de tendência. Aqui ela trabalha com o desenvolvimento de relatórios, pesquisa dentro de uma categoria ou indústria. Tudo voltado ao futuro A segunda frente é uma pesquisa qualitativa e etnográfica. Para isso, ela precisa colocar em prática habilidades como entrevistadora, observadora cultural e mediadora. Justamente para trazer essa informação mais “rica” em detalhes. A terceira frente é a estratégia visual e coordenação entre conteúdo e estética. Ela faz o roteiro, cria o conceito, ajuda a captar, dirige o projeto. Aqui ela pode contar um pouco do seu trabalho através de uma produção audiovisual. Lydia participou de TrueGen, a Geraçao da Verdade, o último documentário institucional na box, sobre geração z.

A futurologia está muito ligada à estratégia, posicionamento e planejamentos das marcas. Por isso elas são as que mais se interessam por essa ciência. Elas querem entender o comportamento das pessoas, e assim, criar produtos, identidade e pensar na comunicação mais adequada. Nike, Avon, Ambev e Melissa são algumas marcas que Lydia tem prestado serviço nesses últimos anos.  



Isabella Garcia