Suzanne Ciani e a Manipulação de Ondas

Por Francisco Raul Cornejo

Tem brinquedos muito divertidos e também muito complexos que nos permitem transformar pulsos elétricos em sons para então serem organizados em algo que possa ser chamado de música. Em algum momento, decidiu-se que eles seriam chamados sintetizadores e acabaram por se tornar os instrumentos diletos de gente bem chegada em criar paisagens sonoras bastante diferentes do universo de ruídos que nos rodeia.

Claro que, no interior dos nossos aconchegantes casulos de preconcepções, temos a impressão de que são predominantemente meninos que ficam ali conectando cabos e apertando teclas ou botões para gerar sons e criar esses imaginativos universos sônicos. Entretanto, a realidade nos mostra que, historicamente, meninas e menines foram consideravelmente mais importantes na evolução desse nobre ofício que se tornou uma arte das mais valorizadas entre todas que compõem o fazer musical atualmente.

Começando nesta coluna e se estendendo por dez seguintes mensalmente, vamos conhecer algumas das manas, minas e monas que abriram, nivelaram e pavimentaram caminhos na síntese sonora, ontem e hoje. Pioneiras cujos esforços abriram portas para novos mundos e, no processo, criaram muitos outros tão fabulosos, repletos de experimentação e deleite musical.

Quem inicia nossa jornada é Suzanne Ciani, uma pesquisadora da manipulação de ondas que logo se tornou perita em sintetizadores e virtuosa numa ferramenta muito preculiar, o Buchla. Aqui podemos vê-la em alguns momentos bem distintos de sua carreira, mas todos marcados por seu inebriante carisma e sua exuberante habilidade em tudo que se refere a sua ferramenta de síntese modular, seja tocando ou explicando para qualquer tipo de audiência os arcanos que regem sua mágica.

Uma trajetória que se estende por quatro décadas e que a vê se atualizando constantemente, face a mudanças tecnológicas e estéticas que puseram no esquecimento muitos de seus contemporâneos, procurando inovar a cada nova obra e se renovar a cada nova performance.

Marcela Zanon