Manja. Chianti. Tartufo. Chianti.

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Por Manuela Rahal

Como pode um país parecer tanto a sua própria casa? Já viajei bastante, geralmente demoro umas 48 horas para entender e ficar confortável, mas na Toscana isso aconteceu em menos de 6 horas. Chegamos com chuva, encontramos nosso superhost e nos hospedamos em um apê de pé direito gigante, quartos e sala amplos, onde absolutamente tudo tinha seu próprio lugar, inclusive dois pares de pantufas brancas ao lado do lindo móvel de madeira no banheiro.

Volto em breve para vocês, homens italianos que não paqueram desviando o olhar, mas te olham de um jeito que faz sentir-se exposta de um jeito bem gostoso.

Fomos imensamente felizes, muitas horas eu pensava: eu amo a Marcela, mas se ela fosse um boy isso aqui seria romântico no talo. Entre Gucci's, Prada's, Ferragamo's e tanta gente elegante, não teria como escrever um roteiro que não fosse gastronômico.

Manja!

> OBICÁ FIRENZE 

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O clássico moderno. Restaurante enorme, casa bem contemporânea e a especialidade: búfala. Ou seja, um cardápio inteiro em função desse queijo de deus. Talvez a maior adega que já vi na vida, nesse vale pedir que te ajudem a harmonizar. Volte para casa rolando e feliz. Vale dizer que é médio caro, cerca de 40 euros por cabeça. 

> VINI E VECCHI SAPORI DI CONSTANTINI

Ninguém me passou essa dica, então sinto  a necessidade de compartilhá-la com força. O MELHOR RESTAURANTE da viagem toda. Bem pequeno, tipo cinco mesas quase que coladas, quase impossível não querer conversar com a famiglia ao lado. Cheguei e pedi para usar o banheiro, o moço magro - que era um dos donos - disse que não tinha; olhei para Marcela e sugeri que fôssemos embora. Ela chamou o moço magro e pediu novamente; mais uma vez ele disse que não tinha; nos encaminhamos para a porta e ele nos puxou: era brincadeira. Humor ácido perfeito. E completou: aqui não trabalhamos com pizza, capuccino ou aperol spritz. PAH. 

Foi ali que descobrimos a dica mais relevante: quando na Itália, sempre peça o Chianti da casa, prometo que você não vai errar. Duas taças de Chianti depois, já estava semi drunk, uma delícia. E para comer uma deliciosa salada de alcachofra seguida do melhor ravioli que eu já comi em toda minha vida. Tudo isso por apenas 15 mangos por cabeça. 

> FRESCOBALDI FIRENZE 

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HEPTA. São apenas 7 estrelas Michelin. Preciso falar mais alguma coisa? Not. Mesmo assim, o simplão Vini e Vecchi acima ganha.

> GELATERIA DEI NERI

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Não existe ir até lá e não experimentar o verdadeiro gelato. Se for, seja assertivo e vá direto ao Dei Neri, pode escolher 1, 2 ou 367498 sabores e tamanhos diferentes de casquinha. E não me venha com intolerância à lactose, gelato é sobre sabor, é sobre textura, é sobre pistacchio <3.

> GUCCI OSTERIA MASSIMO BOTTURA

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Quando decidimos ir à Itália, o primeiro destino que escolhemos foi Modena, pois era um sonho conhecer
um dos melhores restaurantes do mundo, o Osteria Francescana, de Massimo Bottura. Logo, me convenceram de que eu não deveria ir, pois a única coisa para se fazer em Modena era esse restaurante, que exigia uma reserva com pelo menos 3 meses de antecedência.

Depois de visitar a estátua do Davi (zzzz) me deparei com o Gucci Garden e, perua que sou, cai pra dentro. Tudo muito encantador e, de repente, uma Osteria Gucci. Pensei: chic, e puxei o cardápio, assinado por ninguém menos que Bottura. Nem hesitamos e reservamos mesa para a mesma noite, fomos para casa ficar lindas e voltamos com a maior expectativa do mundo. Erro!

Vamos com calma: o lugar é estonteante, o atendimento é impecável e o clima extremamente agradável, mas a partir do momento em que colocam o nome do cara no cardápio não tem como não esperar uma das melhores refeições da vida. Vinhos maravilhosos, pratos gostosinhos, mas não chegam perto de qualquer um dos outros restaurantes citados nessa matéria. Preferia ter gasto meus 100 euros na papelaria Gucci.

> OSTERIA CICALONE

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Mais uma surpresa disfarçada de lugar comum. Um restaurante pequeno, de esquina, com tantas tranqueiras espalhadas e empoeiradas - como muitos por lá. Mulheres tipicamente italianas, expressivas, tanto no balcão quanto no salão, que gritavam entre si os pedidos e quase te obrigavam a organizar a mesa do jeito que elas queriam. Deliciosamente delicioso, não deixem de pedir o spaghetti al tartufo, é de xuxar o pão no prato até ficar sequinho. Tudo isso por apenas 18 euros cada.

> TRATTORIA 13 GOBBI

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Tipicamente toscano, bem gostosinho. Para comer com o guardanapo no pescoço aquelas coisas gratinadas todas. E, já que as mesas eram coladas, também dá para fazer amizades, como o casal holandês que conheci e jamais esquecerei. Ela, mais velha e aquela beleza de quem se permite envelhecer com naturalidade, admirável. Ele, um jovem galanteador (gato!), apaixonado, a pediu em casamento em Angra dos Reis depois de anos juntos e dois filhos. Quase que um conto de fadas contemporâneo. Éramos 4 pessoas completamente distintas, bebemos, demos risadas e saímos nos amando.  





























> GELATERIA DEI NERI

























































Manuela Rahal