Galerias De Arte Para Quem Não Gosta De Galerias de Arte

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Por Isabel Sachs

Galeria de Arte é quase sempre sinônimo de um espaço cúbico, branco, impessoal e não muito acolhedor. Essa estética foi introduzida no início do século XX, em um momento de crescente abstração da arte moderna, com o intuito de minimizar distrações; por vezes criando um “templo de arte”, já foi rejeitada e reconsiderada muitas vezes, mas ainda costuma ser o mais comum.

Mas, se essa estética não é a sua praia, segue aqui quatro sugestões certeiras, com uma programação incrível, mas que valem a visita no mínimo pela sua localização. Afinal, galerias de arte são gratuitas, e tem varias exibições ao ano, uma ótima pedida para conhecer novos artistas, sem precisar gastar muito tempo nem dinheiro.

PEAK

A primeira na lista com certeza fica no lugar mais inusitado. A PEAK, liderada pela incrível Marilyn Thompson, ocupa um antigo salão de cabeleireiro dentro do shopping em Elephant & Castle, uma das áreas mais movimentadas de Londres, com uma das maiores comunidades latino americanas e apenas 51% da população de origem inglesa. Após resistir por anos, a área vem sendo tomada pela gentrificação e o icônico shopping deve ser demolido em 2020.

Mas vale a pena entrar e ver a PEAK, com exposições que envolvem artistas locais e/ou com relação ao público que circula, como GIDDY UP, do artista Germain sobre violência de gangues (um dos maiores problemas da área).

SOUTHWARK PARK GALLERIES

Nada como ver arte dentro de um parque. Fuja dos turistas do Hyde Park e venha para o Southwark Park, que tem duas galerias com exposições cada vez melhores, nas mãos de sua diretora Judith Carlton.

Criada em 1984 por um coletivo de artistas que ocuparam um café abandonado, a Southwark Park Galleries nasceu para ser um espaço de arte contemporânea totalmente acessível. Em 1999, o grupo inaugurou seu segundo espaço, o mais legal de todos - Dilston Grove era uma igreja de 1886, aberta pelo Clare College Cambridge como parte de uma missão para transformar um “bairro espiritualmente destituído”. A estrutura atual é de 1911 e o pano de fundo perfeito para projetos ambiciosos e performances.

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FLORENCE TRUST

Se é templo de arte que você quer, venha aqui também. Fundada pelo pintor Patrick Hamilton em 1990, que queria criar um espaço para artistas inspirado nos estúdios de Florença, promovendo uma atmosfera de troca, o Florence Trust  ocupa uma igreja anglicana neogótica, considerada um dos melhores exemplos da obra do arquiteto William White.

THE CURVE

Dentro do ícone brutalista do centro cultural Barbican fica a The Curve, galeria de arte que, como diz o nome, é uma curva. 

Sendo um longo corredor curvado e escuro, há muito tempo traz uma das melhores programações de arte contemporânea da cidade. Dado seu formato peculiar, artistas fazem intervenções únicas no espaço. Imperdível.

Manuela Rahal